eu vejo entre um poster mal colado ou na teia de aranha que se forma sobre minhas visões conscientes, rostos que vem me observar com olhares de sarcasmo. entre a tristeza das latinhas de cerveja e na ausência de um cigarro cancerígeno que suaviza mais do que mata, insisto em escrever versos mal dispostos em um espaço sem tempo que o defina, como eu em devaneios noturnos me atrevi a chamar de vida. e vendo, atraves de toda iluminação de um cinzeiro sem bitucas generosas, o que se tornou todas as comemorações; são apenas eu, vestido de fraque e sem um pingo de amor pra receber.
e ao som de Pink Floyd tentei me afogar mas uma vez em mim mesmo. mas agora não me largo torpemente no mar de minha solidão escurecida. comprei um barco e tenho fortes braços que me guiam entre as pedras que multilam minha face ja desfigurada. mas me fortaleço, ao perceber que não sou o alvo. sim o maldito azarado que caminhava inocente(?) e se viu no meio de uma briga sem fim.
mas uma cerveja. um telefonema. e só.
ja revirei a casa atrá de chaves ou portas. e o que me desgasta é que ja sei onde estão todas as entradas. só não tive coragem de deixa-la entrar.
Domingo, 4 de Maio de 2008
Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
Diálogos a beira do caos[part 2]

[crônico absurdo cotidiano]
Ele_Qual o caminho mais rápido pra terra do fogo?
Ela_Não sei.
Ele_Aganhariamos muito dinheiro abrindo bordéis por lá.
Ela_Não tem bordéis na terra do fogo.
Ele_Você esta com fome?
Ela_Não sei.
Ele_Há dias que você não come.
Ela_Gostaria de um vestido branco, daqueles que as bailarinas usam.
Ele_Devo estar com algum problema, anda tendo sonhos horriveis.
Ela_Faz anos que não sonho.
Ele_O que você disse?
Ela_Disse que não tem bordéias na terra do fogo.
Ele_Ah.
(silêncio)
Ela_Não sinto mais vontade de viver.
Ele_Eu prepararia um lindo jantar pro dia do seu suicidio. Mesa arrumada, toalhas brancas, faca afiada e velas. Da forma que deve ser antes de momentos especiais.
Ela_Eu te amo tanto!
(silêncio)
Ele_Você sabe o caminho mais rápido pra terra do fogo?
Sexta-feira, 28 de Março de 2008
Sexta-feira, 21 de Março de 2008
Primeira comunhão
Lembro-me da minha primeira comunhão; só não sei que idade tinha naquela época (ando com a memória muito ruim ultimamente). Tinha as aulas da catequese, das quais eu faltava bastante. Não que odiasse a professora, a igreja e as freiras, simplesmente faltava. Eu lembro também que das poucas vezes que eu ia era bem divertido, não pelo papo de evangelização e tudo mais, e sim pela farra. Todo mundo da mesma idade (acho que da pra imaginar a horda de demônios invadindo a igreja). As missas de domingo eram interessantes. Os garotos olhando para as garotas e vice-versa. O padre ficava falando e a gente tirando o maior barato nos bancos duros da igreja. Ele sempre parava a missa pra chamar a atenção de alguém. Era uma época boa. Umas das primeiras garotas que beije (porque não me lembra com precisão qual foi a primeira) era da minha sala; rolou a beijoca na esquina da igreja. Hoje a vagaba já deve estar cheia de filhos e barriguda (tirando os filhos, igual a mim).
Acho que depois de cerca de nove meses chegou o dia de irmos até o concessionário pra que nossos pecados fossem perdoados (como se garotos ligassem pra perdão). Como eu não tinha o que falar, disse que batia punheta. O padre me mandou fazer umas orações e aquelas coisas todas. Mas quando cheguei em casa não quis saber de rezar. Fui bater uma.
Pra quem não sabe, a primeira comunhão é quando se prepara os garotos pra poderem comungar durante a missa, isso significa receber o corpo de cristo (tem outros nomes mas eu não lembro). Logicamente que tem mais uma coisinha escondida por detrás desse "preparar", mas essa é outra historia. Pois bem, chegou o dia em que eu e meus amigos futuros católicos íamos receber o corpo de cristo. Minha mãe alugou uma calça branca e uma camisa da mesma cor. E lá fui eu. Adentrei a igreja de mãos dadas com uma garota na mesma situação e sentamos nos bancos duros. Durante todo o curso da catequese eu não levava nada a serio, mas naquele momento eu senti a seriedade do lance; igreja lotada, mães, tios, irmãs, decoração e até uma banda. Esse lance todo me deixou tenso. Não só eu como todos os garotos ao meu lado. A missa prosseguiu solene até o momento em que todos os garotos e garotas foram até o corredor central e formaram uma fila para que recebessem a comunhão. Todos olhavam enquanto a fila andava. Eu estava com uma puta vergonha. Então chegou o momento. Era minha vez. Aproximei-me do padre (ele parecia grande naquele momento), ele ergueu as mãos e me entregou uma hóstia. Peguei aquele lance redondo e branco entre as mãos (confesso que estava emocionado) e coloquei na boca vagarosamente. Foi exatamente ai que aconteceu... aquela porra grudou no céu da boca de uma forma muito incomoda. Olhei de novo para o padre (agora já não parecia tão grande) e fui caminhando para meu lugar. Cheguei lá e me ajoelhei e fechei os olhos. Fiquei esperando alguma coisa acontecer. Sabe, era o corpo de Cristo na minha boca, transformar o pão na carne, mas não aconteceu absolutamente porra nenhuma. E aquilo estava lá, grudado no seu da boca como se fosse uma massa daquele cimento bem escuro. Fiquei o resto da missa desgrudando aquilo com a língua. Quando acabou a cerimônia rolou aquelas formalidades de abraços, parabéns e coisa e tal. Eu não sabia no momento; mas aquela foi a última vez que entrei em uma igreja.
Acho que depois de cerca de nove meses chegou o dia de irmos até o concessionário pra que nossos pecados fossem perdoados (como se garotos ligassem pra perdão). Como eu não tinha o que falar, disse que batia punheta. O padre me mandou fazer umas orações e aquelas coisas todas. Mas quando cheguei em casa não quis saber de rezar. Fui bater uma.
Pra quem não sabe, a primeira comunhão é quando se prepara os garotos pra poderem comungar durante a missa, isso significa receber o corpo de cristo (tem outros nomes mas eu não lembro). Logicamente que tem mais uma coisinha escondida por detrás desse "preparar", mas essa é outra historia. Pois bem, chegou o dia em que eu e meus amigos futuros católicos íamos receber o corpo de cristo. Minha mãe alugou uma calça branca e uma camisa da mesma cor. E lá fui eu. Adentrei a igreja de mãos dadas com uma garota na mesma situação e sentamos nos bancos duros. Durante todo o curso da catequese eu não levava nada a serio, mas naquele momento eu senti a seriedade do lance; igreja lotada, mães, tios, irmãs, decoração e até uma banda. Esse lance todo me deixou tenso. Não só eu como todos os garotos ao meu lado. A missa prosseguiu solene até o momento em que todos os garotos e garotas foram até o corredor central e formaram uma fila para que recebessem a comunhão. Todos olhavam enquanto a fila andava. Eu estava com uma puta vergonha. Então chegou o momento. Era minha vez. Aproximei-me do padre (ele parecia grande naquele momento), ele ergueu as mãos e me entregou uma hóstia. Peguei aquele lance redondo e branco entre as mãos (confesso que estava emocionado) e coloquei na boca vagarosamente. Foi exatamente ai que aconteceu... aquela porra grudou no céu da boca de uma forma muito incomoda. Olhei de novo para o padre (agora já não parecia tão grande) e fui caminhando para meu lugar. Cheguei lá e me ajoelhei e fechei os olhos. Fiquei esperando alguma coisa acontecer. Sabe, era o corpo de Cristo na minha boca, transformar o pão na carne, mas não aconteceu absolutamente porra nenhuma. E aquilo estava lá, grudado no seu da boca como se fosse uma massa daquele cimento bem escuro. Fiquei o resto da missa desgrudando aquilo com a língua. Quando acabou a cerimônia rolou aquelas formalidades de abraços, parabéns e coisa e tal. Eu não sabia no momento; mas aquela foi a última vez que entrei em uma igreja.
Domingo, 9 de Março de 2008
Diálogos a beira do caos
primeiro ato_repolho assado... sem sal ou outros condimentos
ELE_eu to fedendo.
ELA_ta nada. olha, vamos comer naquela lançonete
ELE_ta foda. acho que pisei na merda.
ELA_pisou nada.
ELE_não ta sentindo o cheiro?
ELA_vamos logo comer que eu to com fome. a gente toma umas cervejas por ai mesmo. to cansada tambem. a gente ta andando a um bom tempo. meu pé ta doendo.
ELE_é. o meu tambem. que se foda.
ELA_espera
ELE _que foi?
ELA_nada não.
ELE_nem vem. não to afim de ir até lá. pode esquecer.
ELA_mas porque? tamo perto. quem sabe tem alguem por lá.
ELE_é justamente esse o problema. sempre tem alguem lá. sempre tem alguem pra perturbar a paz. você sabe que aquele gordo vai estar lá. não to afim de falar com ele. hoje não. o clima ta meio pesado pro lado dele.
ELA_eu sei. mas a gente podia dar uma força pra ele. o cara sempre teve do nosso lado. e você com frescura logo agora.
ELE_não é frescura... acho que é medo, sei lá.
ELA_isso garoto. gosto quando assume as coisas. vai, vamos comer aqui mesmo. depois a gente vai pra casa e dorme.
ELE_ta certo. preciso mesmo dormir.
ELA_nossa, ta fedendo mesmo... droga... fui eu que pisei na merda.
[três semanas depois ela desapareceu. até hoje não se sabe seu paradeiro]
ELE_eu to fedendo.
ELA_ta nada. olha, vamos comer naquela lançonete
ELE_ta foda. acho que pisei na merda.
ELA_pisou nada.
ELE_não ta sentindo o cheiro?
ELA_vamos logo comer que eu to com fome. a gente toma umas cervejas por ai mesmo. to cansada tambem. a gente ta andando a um bom tempo. meu pé ta doendo.
ELE_é. o meu tambem. que se foda.
ELA_espera
ELE _que foi?
ELA_nada não.
ELE_nem vem. não to afim de ir até lá. pode esquecer.
ELA_mas porque? tamo perto. quem sabe tem alguem por lá.
ELE_é justamente esse o problema. sempre tem alguem lá. sempre tem alguem pra perturbar a paz. você sabe que aquele gordo vai estar lá. não to afim de falar com ele. hoje não. o clima ta meio pesado pro lado dele.
ELA_eu sei. mas a gente podia dar uma força pra ele. o cara sempre teve do nosso lado. e você com frescura logo agora.
ELE_não é frescura... acho que é medo, sei lá.
ELA_isso garoto. gosto quando assume as coisas. vai, vamos comer aqui mesmo. depois a gente vai pra casa e dorme.
ELE_ta certo. preciso mesmo dormir.
ELA_nossa, ta fedendo mesmo... droga... fui eu que pisei na merda.
[três semanas depois ela desapareceu. até hoje não se sabe seu paradeiro]
Sobre repolhos e azeitonas
Porque meu outro eu, a criança mal criada e genial, o sem cor, o azedo, se desfaz noite adentro. Cenários de metrópoles em distorção e ruas de carbono instável e dolorido de um odor dos mais triviais possíveis. A face estatelada que repousa no cimento pobre dos cantos sem alma. Cigarros em brasa. Mescla de euforia e tristeza, nos passos descompassados lançados no caminho do acaso. A cruel agonia companheira do nascer do sol, nos olhos assustados, no sinal de desprezo. Beijar docemente o rosto das garotas dos bordeis e declamar, insandesidamente, poemas para vira latas paranóicos. Paz? Somente poder dormir mais umas horas entrelaçado nas pernas de alguma Maria Mundo e acordar com a cara entre os seios alvos. O nada; a dose de esperança vazia de retornar ao inorgânico. O cinema distrai e os livros substituem amores. Braços e olhos cegos tateando chagas que nunca fecham e remoendo antigos pecados para alimentar uma fogueira de venturas e mortificações, esperanças e honra.
Mas há musica nas ruas e crianças descalças brincando nos quintais pálidos. Há atiradores nas varandas e vagabundos nos bares. Em cada canto da cidade acida há festa. Por mais impróprio que possa parecer, há felicidade no ar. Há desejo, potencia, singularidade em cada espaço ocupado, repleto de mim mesmo e no entanto tão longe de uma conclusão.
Figuras platônicas e introspectivas que insistem em perseguir e retornar no espelho, como se tivessem vida própria. Sei que esperam o banquete de mim mesmo, servido com repolho e azeitonas, do qual nem ao menos sou convidado.
Mas há musica nas ruas e crianças descalças brincando nos quintais pálidos. Há atiradores nas varandas e vagabundos nos bares. Em cada canto da cidade acida há festa. Por mais impróprio que possa parecer, há felicidade no ar. Há desejo, potencia, singularidade em cada espaço ocupado, repleto de mim mesmo e no entanto tão longe de uma conclusão.
Figuras platônicas e introspectivas que insistem em perseguir e retornar no espelho, como se tivessem vida própria. Sei que esperam o banquete de mim mesmo, servido com repolho e azeitonas, do qual nem ao menos sou convidado.
Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
É aqui que a merda começa a feder [part 2]
Sempre tem alguém cheio de blábláblá pra perturbar a paz. Sempre vem com aquele papo chato e ate mesmo quando eu vou cagar eles me perturbam. Nem de madrugada se tem paz. E vem uma e me pergunta quanto tempo faz que eu não beijo uma boca. Devia perguntar quanto tempo eu não meto o dedo em um cu rosado. A real é que pessoas falam mais do que deveriam. E mais do que sabem. O engraçado é que nunca pergunto e a maioria das coisas que escuto não me interessa em nada.
Espingardas e uma viagem pra Sibéria estão fora do meu orçamento. Então o que me resta é escutar. E escrever nesse maldito blog.
Acho que não é pedir muito uma casa sem portas, uma rede na sala e camarão frito (ou é?).
Nem quando estou sozinho tenho paz. A maldita voz da consciência vem me aporrinhar. Dai eu perco as estribeiras e discuto com as paredes.
Acho que foi ontem. Um dos meus ancestrais africanos tava dando um role por essas bandas e resolveu me fazer uma visita. Chegou do meu lado com um cachimbo fedorento e disse: “Acorda meu filho, tudo isso é ilusão. Põem uma faca na cinta, uma mochila nas costas, manda todo mundo pras picas e vai viver sua loucura”. e eu to prestes a fazer isso. Já que a sanidade é questão de ponto de vista; antes que o mundo acabe em merda eu vou fugir pra cagar sozinho.
Espingardas e uma viagem pra Sibéria estão fora do meu orçamento. Então o que me resta é escutar. E escrever nesse maldito blog.
Acho que não é pedir muito uma casa sem portas, uma rede na sala e camarão frito (ou é?).
Nem quando estou sozinho tenho paz. A maldita voz da consciência vem me aporrinhar. Dai eu perco as estribeiras e discuto com as paredes.
Acho que foi ontem. Um dos meus ancestrais africanos tava dando um role por essas bandas e resolveu me fazer uma visita. Chegou do meu lado com um cachimbo fedorento e disse: “Acorda meu filho, tudo isso é ilusão. Põem uma faca na cinta, uma mochila nas costas, manda todo mundo pras picas e vai viver sua loucura”. e eu to prestes a fazer isso. Já que a sanidade é questão de ponto de vista; antes que o mundo acabe em merda eu vou fugir pra cagar sozinho.
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